5/30/2009

Alunos de Campinas vão fazer cobertura educomunicativa da Semana de Meio Ambiente


Pessoal, para quem não sabe ainda, voltei a morar em Campinas (SP) e estou voluntariando no Coeduca - Coletivo Educador de Campinas. É um grupo de pessoas e instituições que trabalham com formação em educação ambiental, e há espaço para a educomunicação.

A turminha de quase 20 alunos da foto acima irá participar da cobertura educomunicativa da Semeia 2009. Eles são estudantes da Escola Estadual Dr. Telêmaco Paioli Melges, que fica no bairro San Martin, em Campinas, e têm o apoio das professoras Cassiana e Rosenilze - que fazem parte do Coeduca.

No dia 30 de maio (sábado), durante o período de 14h às 17h30, os alunos do Telêmaco e de outras escolas, além de participantes do
Coeduca, vão entender um pouco como é que se faz uma cobertura jornalística e se organizar para as atividades da semeia. Será uma oficina no Museu de História Natural do Bosque dos Jequitibás - museu, que aliás, completou 70 anos na semana passada.
Devem se preparar para conhecer oficinas de reciclagem, os circuitos educadores em diversos pontos de Campinas, e ter acesso a palestras sobre meio ambiente e a cidade.

Será um aprendizado para eles e para nós, educadores ambientais, pois o olhar desses representantes da comunidade nos ajudam a refletir sobre as ações de formação em educação ambiental.

Para os estudantes, é uma oportunidade de "botar a boca no trombone", escrevendo sobre todo esse universo de informações e vivências sobre meio ambiente, cultura e sociedade, tão rico a nós, educadores, e que nem sempre está acessível à comunidade em geral.

Acompanhem diariamente a cobertura da Semeia no blog Coeduca na Semeia que construímos especialmente para o evento.

A expectativa é experimentar um pouquinho do processo de educomunicação com esses alunos, inserindo-os em um evento de meio ambiente em que normalmente eles estariam incluídos apenas como alunos-ouvintes-passivos. Se é que estariam envolvidos, porque nem sempre as programações socioambientais e culturais estão disponíveis a todos. E a partir daí, trazer o olhar desses jovens para o nosso trabalho de educação ambiental, que não pára nunca!
Essa é a contribuição da educomunicação para a EA: trazer outros olhares além dos educadores. Senão, estaremos falando sozinhos - e não avançando para incluir a comunidade no acesso não só a informação, mas às ferramentas de inserção da temática meio ambiente em seu cotidiano, respeitando a diversidade de saberes e de estilos de vida.
A educomunicação é uma forte ferramenta de mobilização para a EA... mas é também uma oportunidade para os educadores saírem de seus discursos não-inclusivos, ou que não enxergam a realidade diferenciada de cada um.

5/23/2009

Criatividade é ser possuído por Deus

Do blog Palavras de Osho... certas palavras são como um soco no estômago. Te acordam. Te dizem coisas que você esperou ouvir a vida inteira e estão ali, ditas, vivas.

A criatividade significa simplesmente que você está em estado de relaxamento total. Não significa inação, mas sim relaxamento - porque, com o relaxamento, ocorre muita ação. Mas isso não é obra sua - você é apenas um veículo.

Uma melodia começa a ecoar por seu intermédio - você não é o criador dela, ela vem do além.Ela sempre vem do além. Quando você a cria, sua criação não vai além do ordinário, mundano. Quando ela vem por seu intermédio ela tem beleza sublime, traz em si algo de desconhecido.



Quando o grande poeta Coleridge morreu, ele deixou milhares de poemas inacabados. Frequentemente perguntavam a ele: "Por que você não termina esses poemas?" Pois a alguns faltavam apenas algumas linhas para serem terminados. "Por que você não os termina de compor?"Ele respondia: "Não posso. Eu tento, mas quando termino de compor, parece faltar algo, alguma coisa parece estar errada. Minha linha nunca se harmoniza com a que flui por meu intermédio. Ela se me torna um tropeço, uma rocha, e impede-lhe a fluidez.

Assim, tenho que aguardar. Quem quer que tem fluído por intermédio de mim, quando ele começar a fluir outra vez e completar o poema, ele estará terminado; antes disso não."Ele terminou apenas uns poucos poemas. Mas eles são de sublime beleza, de grande esplendor místico. Sempre foi assim: o poeta desaparece, a criatividade aparece. Nessa ocasião, ele é possuído. Sim, essa é a palavra, ele é possuído. Criatividade é ser possuído por Deus.

Simone de Beauvoir disse: "A vida se ocupa com a própria perpetuação e a superação de si mesma; se tudo que ela faz é manter a si mesma, então viver é apenas não morrer." E o homem que não é criativo está apenas não morrendo, só isso. Sua vida não tem profundidade. Sua vida ainda não é vida, mas apenas um prefácio; seu livro da vida ainda não começou a ser escrito. Ele nasceu, é verdade, mas ainda não está vivo.



Quando você se torna criativo, quando permite que a criatividade flua por intermédio de você - quando você começa a cantar uma canção que não é sua, que não pode assinalar nem dizer: "ela á criação minha"; sobre a qual você não pode apor sua assinatura - então a vida cria asas e desfere voos.



Na criatividade está a superação; de outro modo, nós podemos continuar, no máximo, a nos perpetuarmos tal como somos. Você cria uma criança - isso não é criatividade. Você morre e a criança fica para perpetuar a vida, mas perpetuar-se não basta, a menos que você comece a superar a si mesmo. E assa superação só ocorre quando algo do além entra em contato com você.



Esse é o ponto de transcendência - superação. E, na superação, o milagre ocorre; você não existe, contudo, pela primeira vez, você existe.

5/21/2009

Xixi no banho... caso de boa comunicação - mas e a educação ambiental?

É notório observar que algumas organizações não-governamentais profissionalizaram tanto seus departamentos de comunicação, que conseguem espaço na mídia sem tanto esforço, digamos assim - não estou aqui questionando o mérito do trabalho das ongs ambientalistas, muito positivo, aliás.

Caso da Fundação SOS Mata Atlântica, conhecida do público por levantar a bandeira em defesa do verde, especialmente o da faixa litorânea brasileira, a tal da "Mata Atlântica". Sua bandeira, agora, é a de um assunto que conecta dois temas ambientais da "moda" - água e consumo consciente, o segundo pauta constante na mídia graças ao trabalho de outra organização que foca fortemente na mídia, que é o Instituto Akatu.

Você faz xixi no banho? A SOS se uniu a uma grande agência de propaganda, a F/Nazca, e montou uma grande campanha de comunicação com o tema... acredite se quiser. A campanha Xixi no Banho está na boca do povo: ganhou mais de dois minutos no horário nobre da rede Globo, em pleno Jornal Nacional (confira a reportagem clicando aqui).

Volto a falar... não vou ficar aqui criticando a campanha, que tem lá seus méritos. Mas acho que é um bom motivo para fazer os educadores ambientais, e quem trabalha com comunicação voltada para a educação ambiental, em aproveitar algumas lições - não, não é a de passar a fazer xixi no banho. Mas lições de como aproveitar o melhor do universo da propaganda, que dialeticamente alguns educadores abominam - postura radical que não vai ajudar muito a melhorar a situação do planeta, acho.

Em resumo, o que a campanha tem de positivo para nós, educadores, planejarmos nossas ações:

1. Chamar a atenção para um tema aparentemente esdrúxulo pode trazer público. Repare nas reportagens, no site da campanha que o xixi no banho é uma desculpa para falar de economia de água e energia, ainda que de forma superficial. Nem sempre esse choque pode funcionar positivamente - vai depender de como as pessoas que criam esse tipo de campanha dialogam com o público por meio da linguagem publicitária. Mas criar, o nome já diz, é ousar e experimentar.

2. Temas difíceis ganham mais espaço quando falam a língua do povo. Tá certo que o site da campanha é uma ferramenta bem sofisticada, mas observe o item Dúvidas Frequentes: "fazer xixi no banho transmite alguma doença? É nojento?". Parece bobeira, mas vai me dizer que isso não passou pela sua cabeça... quando muitos educadores ambientais escrevem materiais sobre meio ambiente às vezes que quem vai ler o que escreveram pode não entender. Ou não associar aquele assunto ao seu cotidiano.

Insisto: não é apenas uma questão de adequar a linguagem, escrever mais fácil, mais simplificado... é antes, pensar realmente se o que você, educador, está produzindo, vai fazer a diferença para quem não é da mesma área que você. Está careca de saber que desmatamento está associado a mudanças climáticas? Já experimentou explicar isso pro seu vizinho, pro porteiro do prédio? Então experimente esse exercício.

3. Todas as mídias devem ser aproveitadas. Infelizmente a inclusão digital ainda não é uma realidade em todo o país, mas é inegável que muita gente usa Orkut, MSN, Twitter torpedo no celular e tudo que é ferramenta de rede social disponível na internet - e essa campanha está em tudo que é lugar da rede. Se funciona, se faz realmente efeito, ainda há pesquisadores debatendo o assunto. Se é saudável ou prejudicial, não cabe aqui discutir.

No meu entender (quase) tudo que se faz dentro de uma ética/ótica de melhorar o planeta é positivo. Educomunicação não é criticar a mídia, é (re) construir a mídia com viés educativo, de comunicar para contribuir à formação do ser humano. Então, vamos aproveitar esse universo midiático tão favorável desse século 21 e formar realmente redes, não utilizar Orkut, MSN e etc só para ganhar audiência, mas realmente formando alianças, afinidades e campanhas que saiam do virtual para ganhar as ruas.

E por fim...

Depois de uma campanha com um tema tão digamos, esquisitinho como esse, campanhas sobre temas nem tão populares também poderão ter espaço na mídia.

É claro que, para ganhar espaço na mídia de massa, como é o Jornal Nacional, depende de uma equipe de assessoria de comunicação que tenha abertura junto aos jornalistas, coisa que nem toda ong ou pequena associação tem.

Mas se planejando e insistindo (porque os veículos de comunicação estão aí tambpem para prestar serviço a sociedade, e podemos, sim, cobrar postura dessa turma) é possível emplacar coisas que sonhamos, como fazer as pessoas realmente entenderem o que é uma APA - Área de Proteção Permanente, por exemplo. Ou contribuindo para que as queimadas urbanas - crime ambiental e prática proibida por lei federal - agravem as condições do ar que respiramos nas cidades grandes.

É incrível como tem assunto que poderia e deveria virar tema de campanha para que as pessoas se apropriem das informações de forma a não só deixar o xixi para a hora do banho... tem coisa tão ou mais importante acontecendo que às vezes fica perdido num telejornal ou numa revista.

Não esquecendo, como sempre, as mídias alternativas, blogs, rádios comunitárias, jornais-murais nas escolas, boletins de sindicados e associações, pequenos jornais semanais de um único dono que reinam por cada pequena cidade desse país. É um trabalho insistente, de formiguinha, que também entra na luta pelo poder que é a questão da comunicação.

E acredite. Se xixi no banho sai no Jornal Nacional, a gente tem muita coisa boa pra mostrar sobre educação ambiental por aí!

5/06/2009

Os 12 princípios da inteligência espiritual

“Ecologia interior” não é para místicos e esotéricos. Os palestrantes da primeira mesa do II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que está sendo realizado em São Paulo, concordam que é preciso avançar nas questões sociais antes de se pensar em resolver os conflitos envolvendo meio ambiente. Respeito a diversidade, apego à arte e as coisas belas e postura individual voltada pela paz: esse foi o tom das falas, mas um eu voltado à conexão com o universo.

Viagem? Muito inspiradora, na fala da física e filósofa americana
Danah Zohar. Formada pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, dá aulas sobre liderança em Oxford, na Inglaterra, e escreve livros sobre física quântica – alguns já publicados no Brasil (clique aqui para vê-los). Deu uma “aula” estimulante não sobre ecologia, mas sobre inteligência espiritual – tão necessária para que a as ações pelo meio ambiente encontrem eco em toda a sociedade.

“Inteligência espiritual tem a ver com o que eu sou, com os meus valores”, lembra a pensadora, que avisa: precisamos alimentar essa inteligência para motivar a cooperação – entre a família, a comunidade, os países. Só assim vamos encontrar soluções positivas para o planeta, e nos encontrar nessa busca também.

Acompanhe o que Danah expôs sobre os princípios da inteligência espiritual – e motive-se!

1.Tenha pensamentos positivos, sempre. Não pense como vítima das circusntâncias, pense que sofrer é uma oportunidade de ser forte. “A crise econômica atual” é uma oportunidade de pensar nossos valores”, lembra Danah.

2. Descubra quem você é. O que me faz levantar de manhã? Para que eu vivo, por o que daria minha vida? O que me motiva para fazer coisas todos os dias? Quem eu sou realmente? Comprar, trabalhar, sair com os amigos faz parte de nosso universo, mas o “ser” é mais do que isso. Quando eu digo “minha vida é minha oração”, significa saber que minha vida é um ´presente de Deus e que precisamos fazer a diferença nesse planeta.

3. Tenha humildade. Precisamos saber que o que fazemos parte de um sistema, e que precisamos prestar atenção nos outros, lembrando que existem diversos pontos-de-vista – não o seu, unicamente.

4. Viva a compaixão. A origem dessa palavra significa “sentir com”. Sentir a dor do outro como se fosse a sua dor. “Eu não somente cuido dos pobres, eu sou pobre. “O planeta é parte de mim - nascemos quando o Big Bang surgiu”. Lembre-se sempre: eu sinto que sou você, e que você sou eu.

5. Reveja seus valores. Precisamos pensar menos em “eu, mim” e mais em “nós, nossos”. E precisamos rever nossos valores para servir uns aos outros. Compo fazer isso? “Pergunte a você mesmo, qual é o melhor que você pode dar”.avisa a filósofa.

6. Viva o presente. Tire o peso do passado e das preocupações - e.viva o agora!

7. Estamos conectados, e o jeito que vivo minha vida afeta a vida do outro. “Se me sinto negativo, espalho essa negatividade para minhas relações, minha comunidade. Mas se me sinto esperançosa e que posso fazer melhor, espalho essa atitude para as outras pessoas”.

8. Responda a uma questão fundamental: sempre perguntar porquê! Nós nos fechamos a verdade se não questionamos.

9. Mude a sua mente, seus paradigmas, e coloque seus pontos-de-vista sob uma nova perspectiva. Isso é muito necessário no meio empresarial, destacou Danah. “Precisamos de uma revolução do pensamento também nas lideranças e na educação”. Educação significa memorização, imposição? Ou é ajudar as crianças a fazerem boas perguntas? “A mídia também precisa rever o seu papel e ajudar as pessoas a formarem consciência crítica.

10. Valorize seus princípios, mesmo que sejam impopulares. Entretanto, não seja arrogante de que está certo, mas questione-se. Escute os outros, mas veja o que você quer acreditar, para o que você quer lutar.

11. Celebre a diversidade. Isso não significa numa empresa, por exemplo, colocar uma mulher ou negro num cargo alto, mas construir um pensamento do que significa a diferença para você, e o que ela tem a te ensinar. Dizer “obrigada por ser diferente, por me fazer questionar a mim mesmo”.

12. Descubra a sua vocação, o seu propósito de vida e em como você pode fazer a a diferença. “Você não precisa ser o Gandhi ou o Barack Obama. Cozinhar um bolo pra sua família, um pai que vai brincar com seu filho, dando o seu melhor, é uma maneira de servir a humanidade com o melhor que temos”.

Para terminar, um recado aos educomunicadores e educadores em geral: “eu chamo a todos para a revolução não-violenta, onde as novas tecnologias podem mudar o mundo, sim, e que é preciso acreditar que você pode fazer a diferença”.

Acompanhe a cobertura do II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

Estou em São Paulo acompanhando o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que reúne mais de 1.500 pessoas em debates para conversar sobre "o papel educativo da comunicação para a compreensão do conceito da sustentabilidade". A abertura foi com belas palavras de Monja Cohen (veja foto) - budista e ex-jornalista. "Não estamos sozinhos. Somos a vida na terra e cuidando, seremos cuidados", lembrou a monja.

A Carta da Terra é o documento norteador do fórum. Entretanto, senti falta dos educadores ambientais e dos educomunicadores na programação, que inclui representantes da mídia e gente como o escritor Ferrez - que avisa, em seu blog: como resistir? Usando o que temos: a palavra.

É é a palavra e sua força de mudança que está sendo debatida nesse fórum. Acompanhe os próximos posts e também a cobertura no Twitter Educomverde.

5/05/2009

Férias curtinhas em Diamantina (MG)



Razão do meu sumiço no blog: estava em Diamantina, cidade histórica no interiorzão de Minas Gerais.

Confiram as fotos da viagem nesse clipe.

4/26/2009

Bichos, por Márcio Prado






Do amigo Márcio Prado... que acabou de virar papai do Mateus.

Parabéns! Você terá muitas histórias para contar, de cada das fotos-poesia que faz por aí!




















4/23/2009

Concurso vai premiar foto, torpedo e video pelo celular

Fotos, videos, poesias e pequenos contos: vale tudo para concorrer ao Prêmio Mobilifest, onde ganha quem mostrar a melhor maneira de usar o celular em manifestações a favor do meio ambiente.

O Festival Internacional de Arte e Criatividade Móvel é aberto a participação de qualquer pessoa que tenha um celular e responda ao tema: "como a tecnologia móvel pode contribuir para a democracia, cultura, arte, ecologia, paz, educação, saúde, e o terceiro setor?"

As inscrições vão até 15 de junho. Confira o regulamento do concurso clicando aqui. Os vencedores serão conhecidos em setembro de 2009.

Interações entre mídias podem são interessantes... às vezes tenho vontade de flagrar as dezenas de pessoas que vejo despediçando água com a mangueira ligada...